Fórum – Desafios da Estratégia e do Marketing no Agronegócio

Inserido por 31 de março de 2017 Eventos Nenhum comentário

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Resumo do conteúdo do Fórum Desafios da Estratégia e do Marketing no Agronegócio.

Por Dirceu Tornavoi

No dia : 25 de março de 2017 o MBA Marketing FUNDACE-USP realizou o Fórum Desafios da Estratégia e do Marketing no Agronegócio.

Segue um breve resumo dos temas abordados pelos palestrantes e discutido com os quase 100 participantes do evento

Marcos Fava Neves, Professor da FEARP-USP, e conhecido consultor de gestão do agronegócio, apresentou o cenário atual do Agronegócio Brasileiro. O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo. Em 2016 produzimos mais de 30% da soja do planeta e exportamos U$$ 20 bilhões desse produto. É ainda o maior exportador de carne, de café e de suco de laranja do mundo. Essa riqueza irriga as propriedades rurais de todo país e, como consequência, movimenta a economia de diversos outros setores como o de veículos, maquinário agrícola, varejo, etc. Foi o único setor da economia brasileira a passar praticamente incólume pela brutal recessão iniciada em 2014 e que só em 2017 começa da se arrefecer. As perspectivas são positivas para os próximos anos devido a três fatores: aumento do tamanho e da riqueza da população mundial, os aumentos de produtividade oriundos da aplicação de tecnologia ao campo e o aumento da área planta nas mais diversas culturas.

Renato Seraphim, Presidente da Albaugh Inc. (empresa norte-americana de defensivos agrícolas) falou sobre o uso da terra no Brasil. Apenas 7% do território acional é usado para plantação, 23% é pasto (que tende a diminuir dando espaço para agricultura) e 65% é ocupada por matas nativas. Falou também sobre os agricultores. São cerca de 1 milhão de família dedicadas à produção agrícola, a maioria pertencente às classes socioeconômicas A e B. Os chamados heróis do campo estão se renovando. Ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos onde os filhos dos agricultores saem do campo para as cidades, no Brasil a nova geração vai para as universidades e volta para as propriedades rurais para geri-las. Esse novo perfil de agricultores está totalmente integrado às tecnologias e tem acesso a muita informação, o que vem modernizando as práticas agrícolas e aumentando a produtividade com alta sensibilidade às questões socioambientais. O executivo identifica 4 segmentos de agricultores: (1) Inovadores, caracterizados pela motivação por Status, Orgulho, Ambição e Produtividade, além de valorizarem marcas; (2) Os que se orientam por preços, a serem transacionais e independentes; (3) Os movidos por conveniência e pelo senso coletivista das cooperativas e (4) os movidos por relacionamentos, são exigentes em relação a qualidade dos produtos e das relações com fornecedores nos quais depositam confiança. Essa segmentação é a base para que as empresas posicionem-se no mercado brasileiro de formas múltiplas

José Arimatea Calsaverini, diretor Presidente (CEO) das Usinas Itamarati S/A, falou sobre os mitos, enganos, e oportunidades estratégicas para a agroindústria e para os produtores rurais. Mesmo empresas menores podem aplicar o conceito de marketing ao analisar cuidadosamente as oportunidades que se lhes apresentam no cenário mundial. Um exemplo ilustrativo é o da Amaggi, uma empresa do interior do Estado do Paraná que produz soja não geneticamente modificada (não GMO). Comparada com os concorrentes é uma empresa pequena, mas identificou nos países nórdicos uma demanda por não GMO e assim construiu uma unidade de esmagamento de soja GMO Free na Noruega, fornecendo óleo e proteína vegetal para toda a Escandinávia a preços até 40% superiores ao dos produtos comuns oriundos da soja. Outro exemplo é o da Coplana, uma cooperativa de pequenos agricultores de cana que criaram, cooperativamente, uma marca de ingredientes baseados em amendoim para a indústria de alimentos de atuação global. A estratégia de Integração, somada ao APL (arranjo produtivo local) e ao bom uso das ferramentas de marketing B2B fizeram da Coplana um fornecedor preferencial de empresas como Mars, Nestlé, Modelez e Intersnack, gigantes mundiais de alimentos industrializados.

Por fim, Ângelo Palocci Diretor Presidente (CEO) da Coração da Terra, falou da experiência de sua jovem empresa de cafés especiais (foi fundada em 2009). A marca consegue mais de 30% de preço premium pela alta qualidade de seus produtos e as diversas certificações internacionais que conseguiu. É uma das poucas empresas que atua no mercado internacional com grãos torrados (recusa-se a vender grãos verdes, pois o segredo da qualidade final está nas curvas de torra e na conservação até momento de consumo). Segundo o executivo, uma xícara de café vendida em um ponto de venda elegante (aeroportos e casas de café) pode custar até US$ 5 sendo que o produtor recebe por ela: em uma dose café expresso, aprox.. R$ 0,08 (café em natura), em uma dose café em cápsula aprox R$ 0,05 (café em natura) e de Café coado = Aprox R$ 0,05 (café em natura). Essa enorme diferença abre espaço para se agregar valor o que é feito pela empresa por meio de: embalagens e marcas que se diferenciam nas prateleiras e pelo esforço de se chegar até o consumidor final com, por exemplo, vending machines.

Ao promover o evento, o MBA Marketing FUNACE-USP contribuiu para aumentar o conhecimento e o entusiasmo dos jovens brasileiros para com as possibilidades que o agronegócio significa para antigas e novas empresas do setor, na certeza de que tal conhecimento, ao ser aplicado, proporcionará expansão da riqueza e do bem estar em nosso país.

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