Nada há de estranho com a vitória de Donald Trump

Inserido por 13 de novembro de 2016 Notícias 1 comentário

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MBA Marketing Fundace USP

Por Prof. Dr. José Carlos de Lima Júnior

Professor do MBA Marketing Fundace USP

Nada há de estranho com a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos. A sua vitória é somente mais um movimento do nacionalismo mundial, que ficou mais evidente após 2013. Entretanto, o que deveria chamar atenção e até então tem ficado imperceptível é o movimento, em sentidos opostos, observado entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento.

Explico.

A Globalização com origem nos anos 1989/1990, expôs todos os países a uma competição intensa e que se mostrou, em alguns casos, “injusta”. Enquanto alguns encontravam-se bem capacitados para aproveitar a abertura comercial, como Estados Unidos, Alemanha e França (exemplos), outros, como o Brasil, ficaram expostos por não possuírem recursos ou competência mínima para aproveitá-la. Fechamento de empresas e desemprego são apenas dois sintomas dessa ocorrência.

Por essa razão, a partir de 1998 emerge o populismo na América Latina, um movimento que tinha como fundamento retornar ao período pré globalizado, na qual o Estado era um provedor do seu cidadão. Hugo Chaves (1998/Venezuela), Montero, Maldonado e Kirchner (2001/Argentina), Lula (2003/Brasil), Vasquez (2005/Uruguai) e Morales (2005/Bolivia), Bachelet (2006/Chile), Correa (2007/Equador) e Lugo (2008/Paraguai) são alguns casos.

A partir de 2014, a maioria dos países populistas começa um processo de lenta abertura, notando que o fechamento em si foi prejudicial em sua própria formação e competitividade. A eleição de Maurício Macri (Argentina), a escolha de um parlamento de direita na Venezuela (em oposição a Nicolás Maduro) e, recentemente, o impeachment e posse de Michel Temer no Brasil são alguns dos casos visíveis.

Entretanto, o mundo, nesse mesmo instante, passou a optar por um movimento contrário, como se desejasse experimentar um “populismo” tardio. Um nacionalismo extremista surge na França e Alemanha, o Reino Unido faz a opção em deixar a União Europeia. Fronteiras passam a ser monitoradas militarmente com o argumento de controle aos refugiados.

O nacionalismo da América Latina lentamente migrou para Europa e Estados Unidos. Trump é somente mais um caso, porém não está isolado. O que deveria chamar atenção, e até o momento ninguém comenta, é como os países que se mantiveram fechados e perderam a oportunidade de crescer pelo aprendizado, quando o mercado estava aberto, como o Brasil, irão se movimentar agora, quando tudo indica que estarão fechados.

O fato é que, temporariamente, os ventos estão a favor do Brasil. A incerteza nos EUA e o excesso de liquidez na Europa farão com que um fluxo de capital seja direcionado para o nosso país. Trata-se de uma excelente oportunidade para fazer negócios. Pena que poucos conseguem nesse atual momento visualizar.

Certamente a China é quem mais se beneficia com as ondas geradas em todo mercado  pós eleição americana.

Prof. Dr. José Carlos de Lima Júnior

Sobre o autor Prof. Dr. José Carlos de Lima Júnior
Especialista em Estrutura de Mercado e Planejamento Estratégico, com estudos em Co-criação de Valor (Lógica Dominante em Serviços). Doutor em Administração (Marketing) pela FEA/USP São Paulo e mestrado em Estratégia e Mercado também pela FEA/USP. Professor de pós-graduação nos MBAs do PECEGE-ESALQ/USP, MBA Marketing FUNDACE/USP e FAAP. Professor Executivo (área de negócios) do Itaú-Unibanco, Bayer CroopScience e Raizen, empresas atendidas a partir da Consultoria de Educação Corporativa Affero.LAB (Rio de Janeiro e São Paulo) na qual é facilitador desde 2011. Foi professor de graduação no Departamento de Engenharia de Alimentos na FZEA/USP, campus Pirassununga, em 2013. Consultor credenciado pelo SEBRAE de Brasília/DF no Programa Nacional de Encadeamento Produtivo para todo o Brasil. Autor de 7 livros e diversos artigos nacionais e internacionais. Sócio Diretor da MARKESTRAT, com mais de dez anos de experiência na coordenação de projetos em Estratégia de Negócios para o setor público e privado. É colunista semanal de Agronegócios na Rádio CBN desde 2013.
Disciplina ministradas no MBA Marketing Fundace/USP: Inovação, Empreendedorismo e novos serviços BSC – Balanced Score Card e Gestão da Estratégia

1 comentário

  • Janaína Maria de Castro disse:

    Muito bom o artigo, professor José Carlos! Ao ler o título já imaginei que seria do senhor, pois vai ao encontro dos comentários feitos em sala de aula. Abraço.

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